Permanência com hora marcada.
Breve.
Ocasião cronometrada: os segundos correm, correm tanto, tão mais rápido que a minha vontade.
Você chega com data de partida e tudo o que façamos me rouba em troca uma porção de tempo. Moeda cara: quanto mais significativo o momento, mais tempo é despendido – … dormir contigo, por exemplo, me custa boas horas.
Então eu te toco tanto quanto posso. Mãos por toda a parte, te sentindo presente enquanto possível. Não carentes, mas desejosas, sabidas de sua condição.
Eu te olho, te admiro, despercebida e incansavelmente. Te vejo sublime. E por aquele instante, só por aquele instante, meu.
Te beijo com furor e ao mesmo tempo parcimônia. Te cheiro com carinho; como que te respirando, te botando pra dentro de mim. Te sinto visceralmente. Você tem gosto de desafio.
Abro os botões da minha blusa e me (ex)ponho numa nudez de sentimentos. O prazo acaba, você parte, eu me visto novamente. Vem o tal do contentamento descontente. Condições da casualidade.
Despedimo-nos sem previsão de retorno, tão incerto como todo o resto. Um capítulo a mais de uma história sem roteiro. Você vem, vai, eu fico. Sem garantias, sem planos; só a plenitude de que, mais uma vez, foi bom.