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Um conto, uma escrita salaz

Conheço algumas pessoas interessantes no twitter e uma delas é o Fernando, de Brasília/DF, quero compartilhar aqui um dos textos do blog A escrita Salaz. Ah, vale a pena seguir seu perfil no twitter – #ficadica.

CRIADO COM VÓ

– Sonhei que você jorrava em meus seios! – Disse a moça ao rapaz assim que este atendeu ao telefone celular. Ele chegou a titubear, tamanho supetão que levara com a frase.

– Sabia que todo sonho, digo, excluindo aqueles meio abstratos, esquisitos, enfim, sabia que eles são desejos contidos e plenamente realizáveis? – Completou indagando com um tom um tanto perspicaz.

– Ah, é? Me prova.

– Resposta tipicamente ambígua e naturalmente sua. Espero você lá em casa às dez.

Passaram o resto do dia imaginando como seria a noite, aquelas coisas de casais que não são casais e nem almejam em ser um. Que apenas se encontram casualmente para conversar. Entre quatro paredes.

Ela chegou e ambos beberam e conversaram por cinco minutos. E nos vinte seguintes, chegaram ao ápice à maneira acordada durante o dia; ele ejaculando em seus seios, enquanto ela tinha um orgasmo se tocando e admirando a eroticidade da cena. De imediato, deu as costas após beijá-la por beijar e foi em direção ao banheiro se lavar, se sentindo realizado.

De olhos fechados e com um grande sorriso, estava à beira do box do chuveiro, enxaguando o pênis e curtindo a felicidade do orgasmo que tivera, achando tudo a maior perfeição possível:

– Ah, maravilha! Agora só tenho que demonstrar uma falsa atenção até me sentir com tesão novamente… – e continuou pensando sorridente – não gastei dinheiro com motel ou com bebidas e quitutes; não precisei de preliminares nem de romantismo; ela veio de carro, portanto, não tenho que deixá-la em casa; realizei sua fantasia, e, pra completar, ela ainda gozou. Isso é a prova de que a vida pode ser perfeita!

Mas então viu a beleza da vida fenecer e a perfeição virar catástrofe, arregalando os olhos bruscamente de susto, após receber um abraço melecado da moça, enquanto ainda se higienizava de costas, à beira do box.

– …e foi isso, Larissa. Ela nunca mais me atendeu. Tsc, a gente tinha uma química tão boa. Acha que mandei mal ficando com nojo?

– Peraí, deixa eu ver se entendi: você deixou a Lêlê escapar – aquela minha amiga linda, inteligente, pervertida na cama e, como você mesmo disse, esquema delivery total, só porque ela te abraçou melecada de você?

– Foi. Mas só, como assim, só?

– Você transa com mulher menstruada?

– Claro que não! Mas isso não vem ao caso! E então, como faço pra reconquistá-la?

– Já entendi tudo! Por isso a Lelê pediu que eu a apresentasse o Rodolfo.

– Como assim, o Rodolfo? O Rodolfo da turma, aquele com cara de bandido?

– É por isso mesmo. Bandidos não devem comer banana com guardanapo.

– E o que você tem contra comer banana com guardanapo?

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Fernando Ramos Silva

Coluna Fantasma| Contos, crônicas e outros devaneios.

A escrita salaz| Contos atrevidos e apimentados.

Twitter: @ColunaFantasma| Devaneios diários e microcontos.

7 Comments

  1. Fernando, Fernando… você, sempre danadinho, hein?!
    Parabéns pela estreia aqui!

    Well, tenho que confessar que também gosto de um homem com ‘cara de bandido’…

    Muito bom!
    Beijos

  2. Cara idiota .. Vai dizer q se ele gozasse na boca dela ele nunca mais iria beija-la? Parabéns é um otimo conto!

  3. hahahahahaha
    A-DO-RO bandidos!

  4. Enfim… triste sina a do cara com “nojinho”

    Fim. Perdeu a guria da cama e o respeito da amiga para todo o sempre…

    hehehe

    Nada pior do que homem que é criado a base de leite A e Corn Flakes, sempre fica frouxo!

    A-DO-REI o conto.
    É daqueles que podia bem ser uma história real contado em mesa de bar, com diálogos ótimos! 🙂

    Parabéns!

  5. Algo muito comum eu diria. é a chamada ‘sindrome do moleque mimado’. Homem que é homem,não tem frescuras, fato.

  6. Cara que pateta o personagem desse conto… Podia ter passado uma noite de puro prazer… São caras como esse que reclamam do Ricardão… Seja o Ricardão pô!

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