Skip to content

Longe de mim ter preconceito, mas…

Todo mundo conhece essas frases. “longe de mim ter preconceito, mas gordo é feio”, ou “não sou racista, tenho até amigo negro”, “não sou homofóbico, tenho até amigo gay”.

Eu juro que vou andar com um saquinho de confete pra jogar na cara de gente assim.

Todos têm preconceitos, não adianta. Quando estávamos lá, inocentes, ainda infantes, nossos familiares, junto com a sociedade, nos mostraram o que era bonito e o que não era.

Bonito é cabelo liso, barriga chapada, nariz fino, bunda empinada, peito se fosse grande teria que ser empinado, e se fosse pequeno teria que caber na palma da mão. Ou na boca. Não é assim?

Crescemos e nos informamos. Principalmente agora, com a internet e as acaloradas discussões nos fóruns. Mas ainda há preconceito onde menos esperamos. Incrustado bem no nosso fundo, e não reconhecemos.

Pois bem, perguntei a uma amiga negra, baixinha (e assim sendo, uma pessoa que com certeza já havia sofrido preconceito de alguma forma), e que se jurava livre de preconceitos:

preconceito-Você ficaria com uma mulher bissexual?

-Claro.

-E com um homem bissexual?

-Não.

-Mas por quê?

-Ah, sei lá

– Preconceito?

-Não.

-Então por quê?

-Ah, sei lá, por causa de doença!

-Você ta dizendo que bissexuais carregam mais doença que heteros?

-Não, não é isso…

-O que é então?

Ela não pôde responder.

Ali eu mostrei: olha seu preconceito. E tínhamos um amigo gay bem ao nosso lado.

Ela presumia que homens que transavam com homens (gays e bissexuais) carregavam mais DST’s que heteros. DST independe de sexo, crença, orientação sexual…

Mas, para ela, um homem que se relacionava com outro homem tinha mais chance carregar doença do que uma mulher bissexual ou um hetero.

E honestamente, eu vivo e convivo com meninos e meninas gays. Garanto que em relações sexuais, os meninos usam mais camisinha que as meninas. Ou vocês ouvem falar sempre das amigas gays o constrangimento que é cortar uma camisinha pra encaixar na língua? Não né?

Pensaram nisso?

O risco de doença anda junto com heteros, com gays, com bissexuais. O risco está em mim, em você, naquele(a) gato(a) na balada.

Mas o risco do preconceito anda onde menos esperamos. Dentro da gente.

 

Colunista de hoje:

Ana Claudia – Mãe do Cadu, 28 anos, bancária. Gaúcha, viciada em internet, fala sem parar. Um projeto recém inaugurado de feminista, gosto de conversar sobre tudo sem achar que estou sempre com a razão. Tenho tantas idéias na cabeça que me perco no meio de tudo e nem sempre consigo completar o raciocínio. “Sou tchutchuca, desço até o chão” Twitter: @AninhaClaudiah

Be First to Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.