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Amar não nos livra da dor. Mas justifica!

Não encontrei explicação acerca do sentido da vida. Vai ver que o negócio é simplesmente sentir.

A gente nasce, cresce, se reproduz e morre. Entre uma coisa e outra, a gente ama. Amar pra caralho é o que faz valer a pena.

Veja bem, não estou falando do amor que você sente pelo seu namorado. Ok, sei que você o ama muito, mas o assunto aqui é outro. Falo do amor (imposto ou não) pelos laços sanguíneos.

Não sei das suas experiências, não faço a menor ideia de quais demônios você já precisou encarar, mas na esmagadora maioria das vezes, é sua família quem estará lá para ajudar a espantar qualquer bicho papão.

Pegando emprestadas as palavras de Rui Barbosa: “Se um dia, já homem feito e realizado, sentires que a terra cede a teus pés, que tuas obras desmoronam, que não há ninguém à tua volta para te estender a mão, esquece a tua maturidade, passa pela tua mocidade, volta à tua infância e balbucia, entre lágrimas e esperanças, as últimas palavras que sempre te restarão na alma: minha mãe, meu pai”.

Amar nos afasta da culpa, ameniza os tombos, cura lesões. Amar é analgésico. É antidepressivo, é sutura para grandes feridas expostas.

Amar não nos poupa do sofrimento, mas conforta.

Às vezes o mundo contemporâneo impõe uma série de hábitos egoístas e nos afasta dos pequenos detalhes. O amor virou um grande, imenso, enorme clichê fantasiado de comédia romântica. Tsc tsc! Fosse comédia, o amor seria pastelão, com torta na cara e tudo mais.

O que tenho a petulância de dizer com esse amontoado de frases escritas com os nervos à flor da pele é que deveríamos amar mais, muito mais. Dizer ao outro o quanto o queremos bem. Ligar toda noite, mesmo depois de um dia de trabalho daqueles e de encarar um trânsito filho da puta na volta para casa. Viajar mais pra casa da vó, ainda que isso exija uma correria danada. Aparecer de surpresa de vez em quando. Comprar um presente sem data que justifique. Cometer o terrível e reprovável delito de esfregar na cara das pessoas que a gente se ama, desculpem, a gente se ama pra caralho!

Estou profundamente triste e reticente diante do sentido da vida. Os livros de ciências não contam que entre nascer, crescer e tudo mais, a gente tem que lidar com perdas. Pior ainda: os livros não explicam que de vez em quando você pode se deparar com uma doença, que pessoas boas não estão livres disso, que talvez você assista alguém que ama, ama muito, indo embora.

Amar não nos livra da dor. Mas justifica.

Colunista de hoje:

FlahIIFlah Queiroz – Branca de Neve que adora um blush. Bela Adormecida com insônia. Cinderela que não abandonaria o sapato predileto. Bela com vocação para Fera. Chapeuzinho chegada em lobo mau. Viciada em finais felizes e avessa ao sentido literal das coisas. Como diria a melhor amiga: Nem mulherzinha, nem mulherão… Mulher sem medida. Quase-publicitária, quase-escritora, quase-romântica, quase-bonita… Obstinada por inteiro. Blog: Relicário. Twitter: @flahqueiroz

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