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60 kg de mulher sem gordura, por favor!

Ninguém gosta de ser gordo. É difícil achar roupa, a saúde fica comprometida, esteticamente não é bonito. Antes que comecem os pitis, eu to falando de gordos e não fofinhos e fofinhas. Tô falando de obesidade.

Eu também sei que é complicado falar em gordura sem atentar pro lado da mídia e suas imposições de corpo perfeito e etc. Mas vamos pensar pelo lado da saúde, que foi o que me levou a mudar minhas atitudes. Entrei na faixa em que a minha obesidade estava perigosa.

Eu era bem magra e numa velocidade incrível ganhei cerca de 30 kgs, pareço um bujãozinho. Não teria me incomodado, não fosse a dificuldade de achar roupas e a falta de fôlego pra fazer coisas cotidianas.

Mas do meio de 2012 pra cá eu resolvi mudar de vida, depois de ter me separado. Parei de fumar, arrumei um emprego bom, voltei a namorar. Cada passo de uma vez, eu consegui o que queria.

E decidi que o início de 2013 era uma boa época pra mudar mais uma vez os hábitos. Eu sou faixa azul de Jiu-Jitsu, parei de treinar quando casei e sempre tive vontade de voltar. Comecei então uma dieta orientada e acabei por achar uma academia ampla, nova, que oferecesse o Jiu-Jitsu e mais musculação. Perfeito.

Aí vem os problemas.

Obviamente eu dividi essa experiência nas redes sociais e acabei por receber mensagens assim:

_ Você faz bem, gordo é uma merda, e você é tão bonita pra ser gorda

_ Ah, agora emagrecendo, tudo vai melhorar e você vai arrumar um namorado

_ Nada pior do que ter que ficar aturando gordo, é feio demais de se ver, te dou todo apoio pra emagrecer

_ Tem gorda que nem devia sair na rua, você pelo menos não é tanto assim e vai perder peso fácil

_ Nossa, magra você era super gatinha, se voltar ao peso de antes dá pra te namorar fácil.

PERAÍ?!

Então mulher virou um pedaço de carne, foi isso? E tem que ser aquela carne recém cortadinha, bonitinha? Quem fala isso não só está mostrando um preconceito contra gordos, mas tratando a mulher como bife. Pegou, enfiou o espeto, esquentou e comeu.

Uma mulher, magra ou gorda, não foi feita pra agradar os olhos de homens, não estamos aqui para servi-los. Nosso corpo não é feito pra atender aos seus propósitos, agradar seu gosto, enfeitar sua cama. Se eu emagreço, engordo, corto o cabelo, faço as unhas ou coloco silicone, acredite, o último objetivo é ficar “agradável para seus olhos, mãos e piroca”.

Isso não significa que eu não goste de homem e ache todos uns predadores, não sou esse tipo de feminista.

Se não gosta das minhas gorduras, posso fazer igual às mães que amamentam em público e são recriminadas. Colocar um paninho por cima. Da sua cara, obviamente.

 Colunista de hoje:

Ana Claudia – Mãe do Cadu, 28 anos, bancária. Gaúcha, viciada em internet, fala sem parar. Um projeto recém inaugurado de feminista, gosto de conversar sobre tudo sem achar que estou sempre com a razão. Tenho tantas idéias na cabeça que me perco no meio de tudo e nem sempre consigo completar o raciocínio. “Sou tchutchuca, desço até o chão” Twitter: @AninhaClaudiah

 

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