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A gente continua tentando se encontrar com as perguntas, não é mesmo?

Sr. Facebook,

Hoje eu estou pensando em como se faz pra continuar o caminho quando tudo o que se quer é virar pó.

Me diga, de onde é que a gente tira fé, esperança, vontade, quando tudo dentro de nós parece tão destruído, que do que um dia fomos só restaram migalhas?

Como é que faz pra não correr, e correr, e correr até morrer, quando essa angústia que mora em nosso peito parece que vai nos explodir, nos implodir?

Me diga, meu caro, de que forma a gente passa pelas pedras se elas estão a nos soterrar e tirar o pouco ar que ainda nos resta?

Como faz pra sorrir quando o peito está tão arrebentado, que, se a gente sorrir, a energia pra respirar acaba?

Como a gente faz pra não se envenenar com a própria raiva, com o próprio descontentamento que, de tão grande, parece um continente dentro da ilhota que é nosso pobre coração?

Estou pensando em desistir, mas sei bem que não posso.

Estou pensando em fugir, mas nunca serei capaz de fugir de mim mesma.

Ana C. se livrou de si mesma, e se deixou ficar nas palavras eternas.

Plath se livrou da dor, e deixou todo o seu fel escorrer por entre as redomas que nos ficaram nas mãos.

Mas eu não quero me deixar. Não quero deixar de ser.

Agora, me diga, como ser só pela metade? Como continuar sendo mesmo quase sem querer?

Pois é, meu querido… Também não sei se vou conseguir encontrar as respostas…

Mas a gente continua tentando se encontrar com as perguntas, não é mesmo?

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Texto é de autoria da Patrícia Pirota que de vez em quando mantém este diálogo com a pergunta do Facebook: “No que você está pensando?”. Vale a pena seguir e conferir!

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