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Romero e a Síndrome de Scorpion

escorpiaoOlá meu caro leitor(a). Pode me chamar de @Umguribom e essa é minha primeira incursão aqui no blog e hoje eu vou falar de um  amigo, um grande amigo.

O Romero era desses caras bons de ter como amigo. Não era bom de futebol, assunto do qual aliás fugia sempre que notava quando a conversa ia pra esse lado. Mas conhecia os melhores filmes do Polanski e do Tarantino, manjava de boas vodkas e sempre teve jeito com as mulheres. Nas festas ele chegava primeiro, e sempre fazia questão de ir de encontro com as gurias que tivessem uma ou duas amigas, a idéia era que ninguém ficasse sozinho.

A gente trabalhou na mesma empresa e logo que eu me divorciei foi ele quem me tirou da fossa e me mostrou o lado bom da solterisse. Aliás ele era um solteiro convicto. Bonachão, bem humorado, ali pelos vinte e poucos já morava sozinho, tinha carro e ganhava bem….

Ele mesmo dizia – Não tem força nesse mundo que me amarre, pra que eu vou ficar com uma se dá pra ter todas?!?! – sempre que podia, batento no peito com ares de adepto do epicurismo. Volta e meia, arranjado com um rabo de saia, andava de mão dada com mais  mulheres do que trocava de camisa na semana, e isso se seguiu nos ultimos 5 anos desde que eu o conheço.

Pois bem. Ocorre que nos últimos meses, o mais improvável aconteceu. Ele “repetiu” a companhia numa dessas nossas ocasiões em que saimos pra beber. Fiquei impressionado por ver ele duas vezes seguidas com a mesma pessoa, mas não mais impressionado do que na semana seguinte ao ver ele de novo com a Ana. Sim, Ana. A alta de cabelos pretos e olhos verdes tão branca quanto um quarto de manicômio.

Na sexta seguinte antes de sair da loja, à caminho da Lima e Silva pra bebermos nosso tradicional chope de sexta eu ainda liguei pro Romero confirmando a ida dele. Sabe como é, a gente nunca sabe o que esperar de um ex-solteiro. Mas ao sinal de confirmação dele eu me tranquilizei.

Todo mundo estava sentado na mesinha tradicional, a mais da esquerda no Copão, no final da Lima e Silva. Porto Alegre fervia no meio do verão e depois de algumas Heineken e uma gorda porção de calabresa, todo mundo estranhou o atraso do Romero. Que por coincidencia ou não, o Romero que de tão silencioso ninguém notou, estava ali do lado me ouvindo quando em alto eu perguntei: “mas onde será que anda o cachorrinho encoleirado com a morena?”

Por pouco minha filha não se torna orfã, quando ouço a voz dele dizendo um – AQUI! – equanto puxa uma cadeira, sozinho.

Foi o Jonas da contabilidade quem teve a coragem de perguntar, já que pelo ar dele, a coisa não ia muito bem.

Óbvio que todo mundo ficou embasbacado de ver ele ali sozinho, mas foi da boca do Jonas que saiu a mais corajosa frase da noite: “cadê o avião?”

Sem responder, o Romero pegou um copo, serviu-se da torre imensa de Heineken gelada como o coração dele e depois de sorver um gole largou a martelada: “Tá em casa. To solteiro de novo”.

Dalí, como se nada nunca tivesse mudado, alguém perguntou pra alguém sobre alguma coisa que eu não entendi, mas a atmosfera das antigas sextas tinha voltado como se tudo que ocorrera nas ultimas três fosse apenas um intervalo comercial.

Naquela semana ainda tudo aconteceu tranquilamente, até que na Sexta seguinte a chuva torrencial nos fez atrasar um bocado, todos. Exceto pelas duas figuras que apareciam através da janela do bar quando o batalhão chegou na marquise do boteco. o Jonas ensopado, o Moa nadando nas roupas e eu pingando.

Abri a porta do bar ainda vazio e me deparei com as duas figuras. Romero e Ana. Mãos dadas sobre a mesa e copo de vinho do lado. Sentei meio embasbacado, meio atonito meio bravo no outro canto da mesa e naquela noite não falei nem bebi nada. Estranhamente eu me acostumei a ver os dois assim, juntos (semana sim, semana não) pelos 4 meses que seguiram.

Em todas as vezes, por opção dele, a coisa andava e voltava. Percebi que eu tinha um amigo que sofria, da síndrome de Scorpion. Você certamente conhece alguém com essa síndrome, amigo, parente, um(a) ex…

É facílimo identificar um portador da síndrome de Scorpion!!!

Mas… quê diabos é a síndrome de Scorpion?!?!?

Bom meus amiguinhos, Scorpion em nada tem a ver com o signo. Pra quem aqui joga ou já jogou alguns clássicos dos vídeo-games alguma vez, conhece Mortal Kombat, e conseqüentemente, conhece o Scorpion. A quem não o conhece, assista

Como podem observar, ele te puxa, depois larga, puxa, e larga, puxa e afasta, e puxa e… Bom isso segue quase que eternamente pelo visto, parece que a tortura não vai acabar nunca. Uma hora ele te quer, te chama, e você vai, na outra ele te afasta, isso te confunde e magoa mas quando você se recupera da pancada ele volta, te puxa, e óbvio, você vai, quando tudo parece tranquilo, BOOM, uma pancada e você é jogado longe e antes que se recupere do atordoamento, lá vem o braço, a ligação, o recado, o msn, o olhar de novo.

O Scorpion se aproveita da sua defesa baixa, te ataca e abusa das suas fraquezas e da sua carencia sem pudor. É um ser confuso mas muito objetivo, te quer e ao mesmo tempo te despreza. Não é uma pessoa ruim, é uma pessoa confusa, carente tanto quanto perdido.

Naquela hora percebi o que passava – talvez tivesse percebido antes, mas não com essa clareza – eu estava do lado de um ninja, um autêntico ninja. O cara queria os beneficios do namoro, carinho, atenção e segurança, mas de forma alguma abria mão da liberdade de sair, pegar geral, encher a cara e conhecer outras mulheres.

Eu que no alto da minha inocência pensei que ele tinha mudado nos ultimos tempos, percebi que ele não mudara na sua essência, mas estava adquirindo novos hábitos, agora se camuflava sob a máscara do bom rapaz pra ser namorado e atacando soturno nas noites em que dizia fazer hora extra, saía conosco e atropelava bonito nas festas.

Certamente, repito, você conhece ou foi vítima, ou é um portador da síndrome de Scorpion…

6 Comments

  1. Anja® Anja®

    Uau! Estava me relacionando com um cara assim… meu Deus! Quanta confusão! Agora tenho um nome a dar a ele: Scorpion.. rss.
    É essa frescura de hoje em dia de não ter compromisso com ninguém… as pessoas tem mais medo de compromisso do que de arma… :]

  2. Não há o que discutir… isso é mais comum do que se imaginam…

    Mas vai uma dica pra evitar isso: Bloqueie o primeiro ataque segurando pra trás e depois parta pra cima com chute alto… subzero também é uma boa pedida.

    Brincadeira…

  3. Matheus Matheus

    poisé.. ultimamente acho que to sendo a vítima.. :S

    e ta dificil escapar disso.. =/

  4. Bem dessa… já fui dos dois lados… o Scorpion e a vítima…

    Atualmente sou o Scorpion… Mas também, passei por um turbulento noivado… to sempre com um pé atrás…

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