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Eles falam: Estereótipos femininos!

Quando recebi o convite da Anna pra falar desses estereótipos, me lembrei de uma conversa tida há alguns dias com amigas, de como tais pechas de mulher pra casar ou pra transar me fazem reflexivo.

Sim, infelizmente existe a máxima. Vemos todos os dias homens tratarem mulheres assim. Sicrana é pra casar! Fulana é só pra uma noite! E não se dão conta de, no próprio preconceito deles, trocarem gato por lebre. Afinal, todo rótulo é tão equivocado quanto à percepção de quem o invoca.

Entretanto, que fique claro: uma coisa é o preconceito existir, mesmo velado. A outra é fazer parte disso. Admitir o vício, a doença é o primeiro passo em busca da cura. E nossa sociedade está doente. Viciada e doente.

Sabemos que essas falácias, sem sombra de dúvida, são machismos porque voltamos às origens mais carolas e hipócritas, a bigamia de antigamente: a mulher boazinha pra casar, enquanto a amante pela esposa tolerada, boa pra copular.

É por estar intrínseco assim na nossa sociedade nojentamente demagoga, que o blogue Livro Mecânico no post A Realidade Sexual Feminina traz à discussão um clichê relevante e com o qual concordo: como eliminar ou amenizar estes machismos se mesmo as mulheres o são?

Isto é um fato, mulherio. Vocês precisam, pra quebrar esse paradigma maldito, primeiro, arrumar a casa. É impressionante a quantidade de mulher machista que existe. Basta esperar na fila de uma boate na balada. É esporte feminino chamar de periguete esta porque está com saia assim, aquela porque está com maquiagem assado etc.

Como mudar isso? Primeiro mudando este hábito leviano de falarmos mal do próximo sem conhecê-lo ou baseado em imagens superficiais e supervisuais. Isso é da ponta de cá. Mas a ponta de lá também precisa de um pouquinho de bom senso. Somos pessoas multifacetadas e diferentes umas das outras, logo, o conceito de sedução e as atitudes pra levantarem a autoestima são subjetivas e díspares de uma pessoa pra outra. O conceito de vulgar e excessivo é unânime, mas os meios termos, não. É por isso que a roupa que elas vestem jamais pode ser considerado fato relevante pra escolha de um par ideal em busca de qualquer tipo de relacionamento (namoro ou sexo casual), como sugerido pelos babacas e broxas ingleses na enquete do post Sexy ou Vulgar do blogue Meninas Only.

Basta raciocinarmos: se a moça não era feliz com seus peitos, pôs silicone e agora, obviamente, está feliz em poder usar uns belos decotes, será tachada de puta? E se a lindona está lá malhando seus ótimos glúteos todos os dias na academia, e na hora de ir à balada de vestido colado ou minissaia será estigmatizada de mulher só pra trepar? Não tem cabimento.

Nem tanto à terra, nem tanto ao mar. O post Mulher e Propaganda Enganosa, tem algumas verdades que devem ser consideradas e caso não, pelo menos servem como provocação ou reflexão. A bela pode e deve ir à balada de vestido curto e colado. Sem calcinha também está valendo, pois a despeito de nós amarmos, vocês, mulheres, odeiam marca de calcinha no vestido. Mas e dançar com esse vestidinho colado, sem calcinha em cima de uma mesa? Até o mulherio berrará: “A lá! Xoxota grátis!”

Sei que soou machista o que falei. Apesar de ser pró-mulher, sou homem. E como disse a mulher de um político, não existe homem feminista. No máximo, machista em desconstrução. Mas dei o exemplo porque, no geral falta bom senso. Se subir na mesa com um vestido colado, sem calcinha e a peteca à mostra não a deixar com ressaca moral no dia seguinte por tê-lo feito, parabéns! Como disse uma amiga, você é como cavalo de Sete de Setembro: caga, anda e ainda é aplaudida.

Mas sabemos que na maioria dos casos não é bem por aí. Por isso gosto sempre de citar o caso da Kátia, uma moça que participou do programa Liga das Mulheres, no Fantástico. Bonita, corpuda, estável, mas reclamava que nunca conseguia um namorado. As tratativas sempre paravam no beijo na balada, ou à espera da ligação do dia seguinte, ou no segundo e terceiro encontros. Então a filmaram o tempo todo em um dia em que foi à caça. A própria ficou perplexa com o tamanho de sua saia – que nem era tão miniatura assim. Ela achava que a saia fosse maior, e as coisas realmente só tomam grandes proporções (ou neste caso, pequenas) quando estamos observando. Resultado: ela ficou muito mal com isso e com a imagem de atirada a alguns homens, após algumas dez tequilas.

Pensaram bem? Ela estava à procura de um namorado e pode ter sido tachada de vagabunda por muito menos que um vestido cor-de-rosa desfilando pela faculdade.

Estou endossando que as mulheres devem falsear suas ações? Não. Estou dizendo que o estereótipo surgirá de qualquer forma, porque depende apenas da vontade de quem o cria. Quem não se lembra de Juliana Paes na pele da cristã de carteirinha na novela América? Então. Por baixo do seu hábito de freira havia uma calçola à Bridget Jones? Não. Ela usava uma puta lingerie da Victoria’s Secret? E o caso de uma amiga que transou com oito da mesma turma e agora está feliz da vida, namorando, amando? O cara é um babaca por isso, como o chama um amigo? Você sabe todo o passado de sua mulher? Sabe se antes de você ela fez dupla penetração ou se fez sexo oral no primo quando era mais nova?

Não há como saber. Até então, puta, puta mesmo são aquelas assumidas e que cobram (caro) por aquilo. Claro, é o trabalho delas, oras. E se a moça que você tacha de mulher pra trepar não faz isso, então ela busca somente o prazer, assim como você, homem, faz. E nem precisamos ser hedonistas pra entender o porquê disso tudo. Sexo é uma maravilha. Simples assim.

Viremos o jogo. E os moços pra casar e os moços pra uma noite? Também não existem. Vão dizer que as mulheres são mais tolerantes com isso. Mas até onde vai a tolerância que passa por cima dos seus valores? Se você descobrir que o cara que você é louca comeu quase todas as suas amigas, fez ménage à trois com uma delas e a mãe de outra? Isso te impedirá de sentir o que sente?

Falamos aqui de algo além deste estereótipo, mas do que você quer pra si. Se é solteira, tem consciência de sua sedução, sexualidade e inteligência, e está nem aí ao que os demais pensam, foda-se. Vá com tudo. Aprovo completamente a atitude. O que não dá é forçar a barra e mentir à sua própria espontaneidade, que te entregará no primeiro minuto. Ou pior: ser algo que não é porque os idiotas, digo, os homens gostam mais disso ou daquilo.

Se existe mulher pra casar ou mulher pra trepar? Existe. Carlos e Joana são casados há dez anos. Conheceram-se em uma balada e transaram assim que saíram da boate. O vestido curto dela ajudou na hora de usarem o capô do carro. Homero namorou Laura desde sua infância, perderam a virgindade juntos. E após três meses de casamento, se separaram porque ele descobriu que ela sempre o traiu com o primo.

O que você faz quando

ninguém te vê fazendo?

(Capital Inicial)

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Autoria:  Fernando Ramos post sequencial ao Eles falam: Mulher pra casar ou para transar? Curtiu? Segue o Fernando no twitter @colunafantasma \o/

4 Comments

  1. Rachel Rachel

    Excelente post.

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