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Então é Dia Internacional da Mulher… E o que você fez?

Estamos em 8 de março, uma data que desperta sentimentos confusos em mulheres e homens. Para algumas, o Dia Internacional da Mulher é a oportunidade de exaltar as conquistas femininas e a importância da mulher. Para outras, é dia de ser paparicada com flores e homenagens. Há ainda aquelas que se sentem ofendidas pela data, por acharem que ressalta a supremacia masculina durante os outros 364 dias do ano. Já os homens, coitados, não sabem exatamente como lidar com o dia de hoje, a mulher mais próxima pode tanto ficar encantada ao receber uma rosa vermelha como atirá-la na cara do “opressor machista” que fez o agrado.

O Dia Internacional da Mulher começou a ser celebrado no início do século XX, por iniciativa de movimentos feministas dos EUA e Europa, mas só foi oficializado pela ONU em 1975. A escolha do dia não foi aleatória, marca a data em que um grupo de operárias morreu em um incêndio, ocorrido em Nova York em 1857. O fogo que matou essas mulheres não foi um fogo qualquer, elas foram queimadas pelas chamas da opressão e da desigualdade. As operárias trabalhavam em condições sub-humanas, com carga horária de 16 horas por dia e recebendo um terço do salário dos homens, e estavam em greve por condições dignas de trabalho. Para reprimir o movimento, o dono da tecelagem em que trabalhavam iniciou um incêndio que acabou por matá-las.

É bacana passar o dia vendo tributos às mulheres, distribuição de flores e homens mais amáveis que o de costume, é como se o mundo se pintasse de cor de rosa por um momento para nos dizer: “apesar de muitas vezes não parecer, vocês são importantes sim”. Mas temos que tomar um certo cuidado… Não podemos deixar um dia tão significativo ser banalizado e se tornar apenas mais uma data comercial. Se quiserem nos dar presentes e chocolates, nós aceitamos, mas o que queremos mesmo é respeito.

E respeito não deve ser meramente reinvindicado dos homens ou da sociedade. Respeitarmos a nós mesmas é o primeiro passo para sermos respeitadas pelos demais, portanto, vamos aproveitar esta data para nos questionar: Estamos nos respeitando? No que estamos avançando e no que estamos andando de lado? É nossa obrigação preservar e ampliar o espaço pelo qual tantas mulheres lutaram no passado. Muitas deram suas vidas por isso. E o que a gente fez?

Conquistamos nosso espaço no mercado de trabalho. Até poucas décadas atrás, lugar de mulher era dentro de casa, semianalfabeta, cuidando do marido e dos filhos. É assustador imaginar que a história da humanidade tem cerca de um milhão de anos e a mulher ficou presa na caverna até dois séculos atrás. A inclusão da mulher na educação e no mercado começou na Revolução Francesa, mas, até hoje, caminha vagarosamente. Ainda ganhamos menos do que os homens, temos menor participação em posições de chefia e somos maioria absoluta em trabalhos domésticos. Estamos no caminho certo, um levantamento recente mostrou que o estado de São Paulo já tem mais mulheres universitárias do que homens, mas ainda nos falta desbravar algumas áreas predominantemente masculinas, conquistar igualdade financeira e ter homens realizando serviços domésticos na mesma proporção que mulheres.

Elegemos a primeira mulher presidente da história do Brasil. Mas, a participação feminina na política ainda é muito tímida e está longe de nos representar. Em 2010, foram eleitas 44 deputadas e 12 senadoras, sendo que o Congresso é composto por 513 deputados e 81 senadores. Somos 51% da população brasileira e ocupamos apenas 9,5% das cadeiras no Congresso. Além disso, apenas duas mulheres foram eleitas governadoras no Brasil inteiro, sendo que uma delas é Roseana Sarney (oh, não!).  Considerando que, até 1934, não tínhamos sequer o direito ao voto, é um grande avanço, porém, ainda temos muito a fazer, necessitamos de mais mulheres na política para refletir verdadeiramente uma sociedade em que somos a maioria da população. E tem um detalhe: Não podemos cair no erro de eleger mulheres apenas por serem mulheres, precisamos de representantes femininas com ética para mudar o cenário de morosidade e corrupção da política brasileira.

Adquirimos o direito de ser livres e viver plenamente nossa sexualidade. Até poucas décadas, as mulheres eram condenadas a se casar virgens e suportar casamentos infelizes, muitas vezes com maridos que não haviam escolhido. Perder a virgindade antes do casamento fazia da mulher uma prostituta. Ser divorciada era um estigma, uma espécie de certificado de incompetência, a mulher era humilhada por ter “perdido” o marido. Também éramos obrigadas a nos vestir com recato e não podíamos sair sozinhas ou frequentar bares e casas noturnas. Hoje, conseguimos nos livrar desses paradigmas e podemos buscar nossa felicidade como quisermos. O problema é que essa liberdade acaba sendo confundida com libertinagem por muitas mulheres, e, por isso, estamos vivendo um impasse.

Essa mulher livre tem se tornado uma mulher predadora, decidida a se masculinizar. Romper com as convenções, para muitas, tem significado tripudiar as convenções. O recato deu lugar à superexposição, a instituição indissolúvel que era a família foi substituída por divórcios em série, a sexualidade reprimida foi supercompensada com promiscuidade… Muitas estão parecendo homens até mesmo fisicamente, chegando a tomar testosterona para ganhar músculos definidos. Essa liberdade agressiva tem assustado os homens, que se sentem emasculados e não conseguem mais encontrar o seu espaço nos relacionamentos e no jogo da sedução. Temos visto, com muita frequência, mulheres atacando homens e os deixando amedrontados, imobilizados, sem saber como reagir. Nesse sentido, estamos errando muito. Podemos ser livres sem perder a sutileza, a feminilidade, sem tentar tirar do homem o instinto de conquista que o move e faz parte da sua biologia.

É muito complicado modificar uma dinâmica de milênios em poucas décadas, e, nessa tentativa de reorganizar a ordem das coisas em busca de justiça e igualdade, cometemos alguns equívocos. Um deles é o feminismo como oposto perfeito do machismo, aliás, feminismo é um termo que precisa ser abolido. O caminho da igualdade não é excluir o homem ou tentar ocupar o seu lugar à força. Tanto na sociedade quanto nos relacionamentos, devemos lutar por respeito e igualdade de direitos, mas com o cuidado de não anular as diferenças que enriquecem as relações entre homens e mulheres. Não podemos nos esquecer que yin e yang se complementam perfeitamente.

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Texto escrito por Silvia Marques – @silviamarques Tem mais opiniões dela por aqui: Blog sobre nada

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  1. […] Estamos em 8 de março, uma data que desperta sentimentos confusos em mulheres e homens. Para algumas, o Dia Internacional da Mulher é a oportunidade de exaltar as conquistas femininas e a importância da mulher. Para outras, é dia de ser paparicada com flores e homenagens. Há ainda aquelas que se sentem ofendidas pela data, por acharem que ressalta a supremacia masculina durante os outros 364 dias do ano. Já os homens… [continue lendo aqui] […]

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