A vida da mulher solteira


SOLTEIRASó uma mulher solteira entende outra mulher solteira. Ser solteira é uma arte, acreditem. Ser solteira envolve várias questões físicas, matemáticas, psicológicas e as vezes até astronômicas. Mulheres pensam constantemente em: homens. É, não tem jeito, o negócio é admitir! Roupas, sapatos, chocolate, cabelo… Isso tudo vem depois dos homens. E é uma merda ser solteira. Quando acordamos com o pé direito, resolvemos tomar aquele banho, colocar aquela calça apertada (que quando você consegue entrar nela, parece que foi embrulhada a vácuo), arrumamos o cabelo, depois aquela tapeada na maquiagem e vamos pro trabalho. Merda! Sempre dá merda! Pode ter certeza que o dia no trabalho vai ser um cocô. Algo de ruim vai acontecer. E ainda temos que agüentar aquelas piadinhas infames dos caras mais idiotas da empresa: “E aí, se arrumou hoje, tem algum encontro no horário de almoço?” ou então “Ta bonita hoje, hmm, tá afim de alguém do Departamento Pessoal?”Aí fode seu dia!

Depois do expediente, o negócio é sair pra tomar aquela gelada, por que seu dia foi uma bosta e sua frustração parece que aumenta ainda mais. Mulher solteira não tem Tensão Pré Menstrual. Vivemos em constante desarmonia com o mundo. Ás vezes tenho pena dos indivíduos que trabalham com a Bete (a Bete é uma funcionária aqui da empresa, a coitada está solteira há quase 5 anos, não dá fazem mais ou menos uns 2 anos, dizem que o hímen dela já se reconstituiu), coitados dos caras. Cada vez que alguém pergunta como andam as coisas, tentando se referir aos relatórios, ela faz uma enfiada e começa a contar que teve mais um encontro furado. Ela está diariamente de mau humor e quando alguém olha atravessado pra ela, ela já sai dando socos na mesa e dizendo que “se quiser fazer melhor, vem cá e senta minha cadeira porra!”. A Bete é foda. (Aliás foda não, se falar essa palavra perto dela, ela tem um piripaque).

Cinema. Outro carma na vida das solteiras. Quando se juntam 3 amigas solteironas, que não dão há meses, daí fudeu. As 3 vão analisar os filmes em cartaz, pronto, já deu merda. Elas escolhem o quê? A comédia romântica. Meninas aprendam: Mulher solteira não pode ver romance! Vá ver um terror, daqueles bem apavorantes (aqueles que parecem com a sua vida), ou então um drama, pra você sair chorando até seu rim (e pra você ver que têm problemas muito maiores que os seus). Mas nunca, NUNCA, vá assistir um romance. Na cena em que os mocinhos se separam (porque eles sempre se separam!) você já começa a chorar! Filme de romance sempre tem um mocinho, que se apaixona pela mocinha, acontece alguma coisa de ruim e no final eles ficam juntos, felizes pra sempre. SEMPRE assim, ou seja, não vai te acrescentar nada na vida, a não ser colocar mais merda na sua cabeça e ficar com ainda mais vontade de dormir de conchinha. Puta que pariu! Quem nunca foi ver um filme, em que no meio rola, uma cena do casal dormindo de conchinha ou agarradinho? Nessa hora você nem respira, só pra escutar as recalcadas suspirando ou então falando “ai que saudade de dormir agarradinho”. PORRA! Quem quer ouvir isso? Ninguém quer saber da sua vida sexual inativa! Auto-controle é uma coisa alienígena nessas horas, as mulheres têm o impulso de tornar pública a sua necessidade de carinho. Se rolar cena de sexo então? Você fica olhando pros lados, desconfiada, com medo de alguém ver a sua reação. Você começa a se mexer na poltrona, suas mãos suam, você mexe no cabelo, sorri desconcertada, é uma tragédia. Se no cinema tivesse um sensor de calor, você seria acusada logo na cena do beijo.

Outro assunto polêmico na vida da mulher. Dormir de conchinha! Fato: Quando você gosta de dormir de conchinha, você acha um infeliz que vira de bunda, e quando você não gosta, o infeliz quer ficar agarrado encostando o pinto dele em você! Mas, a maioria das mulheres gostam, é bom. Festa, balada, night. Um cú! E CÚ com acento, pra dar ênfase na gravidade do problema. Você se arruma toda, horas e horas se preparando. Primeiro item do roteiro: Depilação. É, vai que rola um sexo, nunca se sabe. (Porque é verdade. Mulher sai pra dar! É incontestável. Se ela não der no primeiro encontro, ela vai dar no segundo e se não der no segundo, é porque o cara é muito lerdo ou viado!) Depois o cabelo, horas e horas esticando a porra do cabelo, queimando o couro cabeludo com o secador pra tentar alisar a juba. Depois a make. Base, pó, blush, lápis de olho (arde! É um saco, você se pisca toda e nunca fica preto o suficiente), depois o rímel (catástrofe total! Você borra tudo, aí vai com o cotonete e tenta concertar, resumindo, você fica parecendo um Panda Australiano – existem Pandas na Autrália? – e tem que lavar a cara de novo, fazer um mântra e tentar recomeçar a bosta da make) e por último o gloss. Gloss, outro problema. Você fica na dúvida se coloca ou não, vai que pega alguém e o infeliz odeia gloss, pronto! Nunca mais o cara vai te ver na vida. Você fica imaginando aquele beijo todo melado, gruda tudo, uma porcaria. Por último você coloca a roupa (aquela que você já vem planejando há dias). Lei de Murphy! Fudeu! Você coloca a roupa e cai em desespero. Fica emputecida por que a joça da saia retratou seus pneus, daí começa o inferno. Não tenho roupa! Cassete! E agora? Você apela para o desespero. Liga pra aquela amiga que você viu com um vestido maravilhoso e pede o dito cujo emprestado. Fudeu mais ainda, ele está sujo. Caralho! O quê fazer? Você começa a revirar o guarda-roupas todo e quando você vê, seu quarto parece um lavanderia em plena segunda-feira: pilhas e pilhas de roupas amassadas e nenhuma que sirvaem você. Daí pronto. Acabou a noite. Maquiagem borrada devido ao desespero, você sentada no chão (porque na cama, na cadeira, em cima dos moveis, só tem espaço pras roupas jogadas) e a vida acaba. Você pensa: merda, não vou sair e o gato que eu tô de olho vai na porra da festa! Minhas chances de desencalhar acabaram! Por fim, você coloca a desgraçada da roupa que te deixou gorda e seja o que Deus quiser.Puta da cara, você sai. Chega na night, uma MERDA total! Música ruim, aqueles meninos de 15 anos batendo foto com os dedos fazendo “V” de vitória e as meninas fazendo “biquinho”. CARALHO O QUE EU TÔ FAZENDO AQUI? Aí você vai até o bar, pede duas doses e coloca uma gota daquele energético vagabundo, que você sabe que vai te dar aquela puta dor de barriga no outro dia. Que se foda! Você enche a cara.No meio da festa, você encontra um cara GATO. Lei de Murphy de novo. O cara é gay, tem namorada ou não dá a mínima pra você!Resultado: Você gasta com depilação, cabelo, maquiagem, roupa, a entrada a night, a gasolina (que sempre é feita a famosa “vaquinha” pra ajudar a amiga motorista) e ainda a bebida na night, por que nenhuma alma caridosa quis te pagar nem uma cerveja.É, você embundece a cara e vai pra casa frustrada, dizendo que nunca mais volta naquela night. Mentira! Semana que vem a odisséia continua e você volta pra mesma night ou então pra outra parecida e aí, você cai no ciclo vicioso da vida de solteira.

De repente, você sai de casa, em um dia qualquer, com aquela roupa de ginástica de 1970 – que era da sua mãe, aquela camiseta de propaganda, da época em que você era caloura da faculdade, e vai na esquina comprar pão.Sem maquiagem, sem perfume, sem gloss, com o cabelo parecendo a Medusa em dias de revolta e encontra o “amor da sua vida”.Aí você começa a sair com o cara. Mil maravilhas, um amor só, saidinhas, cinema, festas, tudo juntinho, tudo lindo. Aí você pensa: pronto! Vou ficar noiva e com sorte ainda me caso. Não vou ficar pra titia. FUDEU. E, pode ter certeza, F-U-D-E-U.Suas amigas começam a desconfiar de tanta felicidade e vão atrás de informações. Acabou-se! Sábado a noite, sua amiga te liga, você ignora, desliga o celular e sai com o bófe. No domingo, mais 5 ligações da amiga e aí você atende. Vocês saem pra conversar e você pensa: merda! Tava bom demais pra ser verdade. Pronto. Depois da conversa, você volta pra casa arrasada, tem a sensação que o mundo abriu sob seus pés. Caralho! Sou corna! Aí fica tomando chá, comendo chocolate, com a cara cheia de espinhas, 400g a mais no seu corpo – que já não era perfeito – e pálida, com olheiras do tamanho de bondes, de tanto chorar.Filho da puta! HOMEM NÃO PRESTA! Não adianta fazer macumba, apagar o telefone do desgraçado, excluir do msn, banir do orkut. Você ainda pensa no infeliz.

Pronto. Você retoma sua vida de solteira. A depressão acabou. Você se empolga novamente e começa a sair.E a história se repete umas 50 vezes até você aprender que não adianta. Negócio é ser solteirona pro resto da vida, casar e aguentar um homem que você nunca vai saber se te trai ou não (ou vai saber, mas vai fingir que não sabe, ou vai ser tão burra, que vai ficar com medinho de perder e vai aturar) ou você vira puta, porque sem sexo, não dá. Literalmente.

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Texto escrito pela blogueira do Clube das Mina, segue no twitter @clubedasmina \o/